Das conversas que aconteciam nas chamadas biroscas, armazém ou tendinha, sempre havia alguém para compartilhar um causo, letra de música ou poesia que viraria uma obra artística para não ser esquecida.
No decorrer das conversas nas biroscas, entre muita gritaria, sobre muitos assuntos, alguém batucava no balcão, outro na tampa da panela com a colher, um a garrafa ou o próprio corpo e eita! Que som gostoso se dá! Mas opa falta uma letra aí! Alguém começa um verso usando as conversas anteriores e pronto, música feita!
Em alguns casos, algum vizinho que gosta de cozinha leva para este espaço petiscos e guloseimas para compartilhar. Também tinha sempre uns que faziam uma oração para os católicos, os crentes que passavam. Eita, que eu também faço as minhas falas aos povos encantados da minha religião, que os meus tataravôs também faziam, eu peço e agradeço aos meus santos, meus orixás!
“Pessoal vai começar o papo da religião, é isso mesmo?”
Então começava e tinham aqueles que não tinham religião e são todos bem-vindos! Sempre há respeito para todos que fazem profissão da sua fé, temos que respeitar todas as religiões, até porque somos um país que foi construído pelos três povos, não podemos negar isso, onde cada um trouxe a sua e aqui já tinha outras e assim surgiu o nosso país.
A fé se manifestava quando a colheita das plantações era boa, quando as pessoas se juntavam e faziam uma festa...
E ainda dentro dessa batucada cabe o bloco de carnaval, pois estamos no pique! O carnaval se aproxima, vamos que vamos colocar esse bloco na rua!
Vamos chamar o povo que temos aqui e aproveitar que estamos com costureiras e artesãs que podem fazer estandartes, customizar as roupas, igual acontece com a festa junina e os festivais!
Muita alegria, música e comida!
As relações das pessoas em determinados espaços trouxeram múltiplas criatividades. Memórias e histórias. Estas geraram manifestações culturais e assim entendemos que tudo isso é cultura!
Antônio Firmino, cofundador do Museu Sankofa.